Coluna do Prof.Wilton Carlos de Santana
![]() | Wilton Carlos de Santana Docente do Curso de Esporte da UEL (PR) Doutor em Educação Física - UNICAMP (SP) |
Em tempo: daria para jogar sem ser criativo, isto é, sem reunir as três virtudes? Na opinião dos autores, sim, ainda que isso represente uma lacuna. Neste caso, consideram que há três tipos de jogador: o primeiro é aquele deficiente em distribuir atenção e, por isso, em criar alternativas, mas é obediente taticamente, que tem a ver com o cumprimento da sua função em quadra de modo previsível. Ah, há muitos jogadores com essa característica! O segundo tipo é aquele que sai fazendo o que quer independentemente da estratégia (dos planos) do time, isto é, ele tem um volume amplo de atenção, cria, mas decide mal, ou seja, joga para “ver no que vai dar”! Quem assim o fizer não pode ser considerado criativo para os autores. Eles o consideram um “falso criativo”. O “verdadeiro criativo”, então, jogará considerando a coletividade, de maneira imprevisível e perigosa para o adversário e não para o seu time.
Para os autores, o treinamento da criatividade passaria por atividades e jogos que desenvolvessem as três competências mencionadas. Apontam que para desenvolver um volume amplo de atenção, o treinador (ou professor) deveria propor jogos que exigissem prestar atenção em mais de uma coisa; para desenvolver a competência de apresentar muitas idéias para solucionar os problemas, o treinador deveria oportunizar jogos que oportunizassem várias soluções e, finalmente, para aprender a escolher, entre opções, a melhor, o professor recorreria a exercícios que trouxessem certa hierarquia (a opção “a” é melhor do que a “b”). Os autores declaram que esse último tipo de treinamento, que tem mais a ver com a obediência tática, não deveria ser enfatizado com crianças, pois pode desenvolver um jeito previsível de jogar.
“Trate de planejar situações que possibilitem aos seus jogadores (alunos) desenvolver criatividade! Não fique preso às rotinas de exercícios, tampouco às repetições de jogadas combinadas”.
Significa dizer que no futsal, nos esportes coletivos, a circunstância é a propulsora da criatividade. Esse fato tem pelo menos uma herança para os professores e treinadores que ensinam futsal: a qualidade (o tipo) da exigência situacional (da atividade) é o que poderá desencadear ou não criatividade. Então atenção: trate de planejar situações que possibilitem aos seus jogadores (alunos) desenvolvê-la! Não fique preso às rotinas de exercícios técnicos, que ensinam a relação com a bola, mas fora do contexto de jogo; tampouco às repetições de jogadas combinadas, que ensinam a decidir, mas não a inventar. Isso não quer dizer que você não possa destinar algum tempo a isso, mas não o maior tempo. Opte, predominantemente, pelos jogos ou formas jogadas! Pense o que seria adequado para provocar o volume amplo de atenção e a criação de alternativas (por exemplo, colocar duas bolas no mesmo jogo, duas ou mais metas para atacar e defender etc.).
Este texto pretende, minimamente, que você fixe o seguinte: jogadores como Pelé, Michael Jordan, “Magic” Paula, Maradona, Ronaldinho, Falcão, por exemplo, não nasceram criativos, mas de algum modo, na sua história de vida, lhes foi permitido vivenciar situações em que a criatividade fosse exercitada.
O que está em jogo, portanto, é que a criatividade, central para o desempenho ótimo nos esportes coletivos, não é inata, mas adquirida. A compreensão disso é decisiva para a sua pedagogia se ela se propuser desenvolver jogadores imprevisíveis, aptos para um jogo imprevisível como o de futsal. As crianças agradecem.
Para quem quiser estudar o texto ao qual me referi, anote a referência:
GRECO, P.J.; ROTH, K.; SCHÖRER, J. Ensino-aprendizagem-treinamento da criatividade tática nos jogos esportivos coletivos. In: GARCIA, E.S.; LEMOS, K.L.M. (Org.). Temas atuais IX: Educação Física e Esportes. Belo Horizonte: Saúde, 2004. p. 157-174.
Fale com o editor:independentefutsal@globomail.com
Este texto pretende, minimamente, que você fixe o seguinte: jogadores como Pelé, Michael Jordan, “Magic” Paula, Maradona, Ronaldinho, Falcão, por exemplo, não nasceram criativos, mas de algum modo, na sua história de vida, lhes foi permitido vivenciar situações em que a criatividade fosse exercitada.
O que está em jogo, portanto, é que a criatividade, central para o desempenho ótimo nos esportes coletivos, não é inata, mas adquirida. A compreensão disso é decisiva para a sua pedagogia se ela se propuser desenvolver jogadores imprevisíveis, aptos para um jogo imprevisível como o de futsal. As crianças agradecem.
Para quem quiser estudar o texto ao qual me referi, anote a referência:
GRECO, P.J.; ROTH, K.; SCHÖRER, J. Ensino-aprendizagem-treinamento da criatividade tática nos jogos esportivos coletivos. In: GARCIA, E.S.; LEMOS, K.L.M. (Org.). Temas atuais IX: Educação Física e Esportes. Belo Horizonte: Saúde, 2004. p. 157-174.
Fale com o editor:independentefutsal@globomail.com
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